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A incoerência dos pais na educação das crianças brasileiras
Autor: Talita da Rosa Muellas - Psicopedagoga
Data: 16/3/2015 00:00:00

 Há muitas situações que acontecem na escola que poderiam ser evitadas, se os pais tivessem coerência em suas atitudes diante dos filhos. Quando falo em coerência, quero adentrar em dois pontos: a coerência entre os pais e a coerência deles nas atitudes cotidianas. 

A coerência entre os pais é quando toda e qualquer atitude tomada por um seja de comum acordo entre os dois. No dia-dia, a criança percebe quando um dos pais é mais permissivo que o outro, isso também fica muito claro para escola. Quando a criança tem uma atitude negativa e a escola solicita a presença dos pais, de antemão os alunos já falam “chama só fulano, mas beltrano você não chama, não” ou “não conta para minha mãe, pois ela que me põe de castigo”, há aqueles que caem em lágrimas quando sabem que um adulto específico, entre os adultos responsáveis por ele, irá até a escola para resolver o que ele fez de errado. 
Nessas situações, as crianças já deixam claro quem faz o papel principal na relação de autoridade. Em algumas situações, os responsáveis vão até a escola e discutem sobre as diferenças de posicionamento dos dois, crianças chegam a esconderem-se atrás de um, normalmente, o que é mais permissivo, com medo do que o outro possa fazer.
Pais devem falar a mesma linguagem entre si, pensar e agir da mesma forma, mesmo que isso seja combinando antecipadamente, sem a criança saber. Sabemos que cada um tem ideias e crenças diferentes sobre a criação das crianças, é natural ter opiniões diferentes ao lidar com os filhos.
Quem coloca de castigo é quem deve tirar e os dois devem alternar-se para cobrar as regras da postura correta na escola. 
Vivemos na escola casos de pais que deixam a educação da criança completamente para a responsabilidade do outro, quando enfim participam de alguma situação, tomam medidas drásticas, na crença de solucionar o problema aos gritos, batendo na criança, com decisões e atitudes severas e que não dão resultado, principalmente, no dia-a-dia, embora a criança possa parecer dominada num primeiro momento.
Educar dá muito trabalho. Falar o tempo inteiro, repetir o que já foi falado, ensinar o que é certo, explicar as consequências das atitudes negativas, pôr de castigo, ouvir a criança chorando quando são contrariadas. 
Além de impor regras e cobrar atitudes, acima de tudo, temos também de pensar sobre o afeto. Muitas vezes as crianças estão fazendo tudo errado para chamar a atenção dos pais, atenção que pode estar sendo rara em casa. Brincar, fazer tarefa, fazer com que elas ajudem em pequenas tarefas do dia-a-dia, em sua presença, faz com que se sintam seguras e amadas. 
Se você não quer que a criança grite ou suba na mesa, seja mal-educada, trate mal as pessoas, dê o exemplo a ela! Os adultos que as criam são modelos para as crianças e as maiores referências, quando pequenas, elas se espelham o tempo todo nos adultos. Se eles leem, as crianças vão procurar pelos livros; se são educados com as outras pessoas, as crianças também serão; se os adultos escolhem um lugar para fazerem suas atividades, as crianças escolherão um lugar para fazerem as suas. 
Coerência entre o que se fala e o que se faz é uma das grandes ações positivas de todos aqueles que cuidam de uma criança.