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Apagão de Talentos
Autor: Prof. Adelaide Rezende
Data: 17/9/2013 00:00:00

 - Como essa escassez de profissionais capacitados pode interferir no ritmo de crescimento do país?

Equipes de alta performance, qualificadas para exercer bem seus papeis e gerar resultados, são indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer setor produtivo.

Se há um déficit de profissionais qualificados para um determinado setor, o chamado  "apagão de talentos", haverá um comprometimento não só do desempenho econômico , como do desenvolvimento  social de uma nação como um todo.

Segundo o headhunter Alfredo José Assumpção, "sem talentos, as empresas são fusionadas, compradas ou liquidadas, não resistem à competição. Para ele a indústria, que sofre forte concorrência internacional, é uma das primeiras a sentir a perda de competitividade", embora não possamos esquecer o setor de comércio e serviços ,  que também são atingidos, fortemente,  por essa situação.

 - De que maneira a Copa do Mundo e Olimpíada serão afetadas?

 Eventos do porte das Olimpíadas e da Copa do Mundo exigem uma grande infraestrutura para atendimento ao volume de pessoas envolvidas e atividades que ocorrem, não só durante as competições esportivas, mas também antes e após as suas realizações. São grandes desafios para as áreas de construção civil, turismo, alimentos e bebidas, educação, segurança, tecnologia da informação, planejamento urbano, gestão pública, entre outras. Quando se vive um momento de "apagão de talentos" esse desafio se amplia, pois além da sua inerente complexidade, depara-se com a escassez de profissionais com as qualificações necessárias para enfrentá-lo. Este quadro gera uma supervalorização dos profissionais qualificados e, ainda, o atraso de importantes projetos em função da falta de recursos humanos para o atendimento das demandas geradas.

 - O que é o ‘apagão de talentos’ no Brasil?

Apagão de talentos é um termo comumente empregado para descrever a falta de profissionais qualificados para desempenhar com eficiência certas funções estratégicas nas organizações. Na realidade o problema é mais de qualidade do que de quantidade.

O que se constata hoje no Brasil é a escassez de talentos diferenciados. Pessoas que sejam preparadas tecnicamente mas que, também, se adaptem rapidamente às necessidades da organização; que decodifiquem as mudanças e se antecipem a elas; que protagonizem e empreendam o caminho futuro da organização. Pessoas que evidenciem outras habilidades que agreguem valor ao seu trabalho; que sejam empreendedoras naquilo que fazem; que saibam lidar com outras pessoas e trabalhar em equipes multidisciplinares, que sejam capazes de administrar situações adversas com equilíbrio emocional e oferecer soluções criativas. Embora a escassez de talentos no Brasil esteja mais evidente nos segmentos de profissionais egressos de cursos técnicos e tecnológicos, ela permeia fortemente as áreas de automação, edificações e de eletrônica, sem esquecermos a área de serviços. Nota-se que, de modo geral, o país não se preocupou com a formação de um profissional capaz de atender a essa alta demanda e às exigências do mundo contemporâneo, provocando essa lacuna dentro das organizações.

 - Importar profissionais é a única saída?

 Não. Identificando a necessidade da organização, em muitos casos é mais estratégico que as organizações apostem na adequação da própria equipe, identificando, não só,  as necessidades da organização e o desempenho de cada setor , como também o desempenho e as habilidades de seus colaboradores e os espaços que possam ser , por eles ocupados ,  potencializando seus talentos. Assim, não perderá tempo e dinheiro buscando pessoas que irão demandar maiores investimentos não só técnicos mas, também, naqueles aspectos referentes à cultura organizacional, tão importantes  para o sucesso de qualquer organização.

De qualquer forma, é muito importante que as organizações invistam permanentemente em processos de qualificação, aperfeiçoamento, especialização e atualização de seus colaboradores em um processo permanente de revitalização, seja pela oferta de cursos customizados ,mediante assessoria especializada, seja possibilitando a participação em processos externos.

No mundo corporativo não há mais espaço para improvisações. É essencial ter um plano estratégico de educação corporativa, com visão de longo prazo, integrado ao negócio e com investimentos definidos. 

 

 - Como devem ser formatados os programas de qualificação de equipes? Que benefícios os gestores podem ter?

 

O primeiro ponto é definir qual o resultado esperado com o programa de qualificação. Em seguida identificar o perfil da equipe para selecionar o formato mais adequado a ser utilizado: cursos in companny, cursos a distância, participação em eventos externos, cursos em parceria com organizações similares ou com a academia, ou mesmo a combinação dos diversos formatos.

Além do ganho objetivo verificado pelos resultados quantitativos atingidos pela organização, em decorrência do melhor desempenho dos colaboradores na execução de suas atividades, há, sem dúvida o benefício intangível da valorização do colaborador que se sentirá mais motivado e mobilizado para o trabalho.

 - O que é preciso fazer no âmbito acadêmico para mudar esse quadro?   

Em primeiro lugar, é preciso partir do pressuposto de que a necessidade de atualização dos currículos é constante. Além disso, a Academia não deve se preocupar apenas com a expansão da oferta de cursos, mas, privilegiar a qualidade do que for ofertado.

É necessário, também, um diálogo permanente entre a área acadêmica e o setor produtivo para que não se perca a sintonia entre a formação e as exigências do mundo do trabalho.

Nesse momento reforça-se a necessidade de melhoria nos Sistemas de Ensino Fundamental e Médio, que são os fornecedores de matéria-prima para os cursos de qualificação e de formação profissional, sejam estes cursos técnicos ou superiores.